sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ballerina em Paris

Uma das tantas (e lindas) obras de Degas sobre bailarinas

Queridas, amanhã embarco para Paris e, como já havia escrito neste post aqui, pretendo fazer várias fotos e escrever posts bacanas quando retornar, a partir do dia 11. Neste meio tempo, não atualizarei o blog, ou responderei emails, ok? Sejam pacientes! haha

Au revoir!
Carol


sábado, 24 de setembro de 2011

E quando você é a bailarina gordinha?


Estava conversando esses dias com uma leitora no Facebook (ah, sim, o blog agora tem uma página lá!) e ela estava extremamente preocupada em ser a gordinha da turma. Disse que era sedentária até então e que estava com vergonha de começar no ballet. "Você é magrinha" - disse ela, como se eu não fizesse ideia do que era ser a gordinha do ballet. News flash, ballerinas, eu sei! haha É óbvio que a gente só publica fotos que nos favorecem. Por que vocês acham que nunca publiquei meu 1o video dançando nas pontas? Meu quadril estava imenso! rs

Não é a primeira vez que novas bailarinas me escrevem dizendo ter medo e vergonha de começar o ballet em função do peso. Em função disso, resolvi contar a minha história com a balança (e a comida!). Não é nenhuma história dramática, mas é válida. haha

Antes de tudo, gostaria de expressar minha opinião a respeito de ser magrinho/gordinho. Ela pode ser controversa, já aviso. E deixo claro que sou contra o preconceito com qualquer tipo de pessoa.
É que da mesma forma que acho errado a indústria da moda encorajar meninas a serem extremamente magras, sou contra esse negócio de que os gordinhos devem se sentir bem com seu corpo. Principalmente os bem gordinhos. Sou a favor da saúde e do peso ideal. Compreendo que há biotipos diferentes, curvas diferentes, ossos diferentes, doenças (físicas e psicológicas) mais complicadas e milhares de outras situações. Mas, na minha opinião, nós (os que temos consciência e podemos) devemos sempre buscar saúde e a nossa melhor forma.

Bem, vamos lá! A minha história pode parecer boba perto de tantas outras, mas tenho boas experiências para dividir, mesmo nunca tendo passado por situações mais críticas.

Tenho 1m50, seios grandes, coxas grossas e bunda. Se eu não me cuidar, acabo virando um bujãozinho. Frequentemente me sinto mal nas aulas de ballet, pois um collant grudado não é exatamente bonito em seios grandes. E sempre faço aula de saia, com vergonha de mostrar as celulites na minha perna. Uma vez tive que ensaiar sem meia (porque havia esquecido em casa) na frente de um monte de gente e acelerei a coreografia inteira só para acabar logo. Então, eu sei o que é ser a mais larguinha e buxuda dentre tantas bailarinas.

Há 4 anos atrás, quando comecei a namorar meu atual namorido, eu estava quase 6kg acima do meu peso, sem fazer exercícios e tinha um péssimo paladar, em função da quantidade de comida congelada e açúcar que comi a minha vida inteira na casa da minha mãe (que trabalhava fora e tinha zero saco para fazer comida. Eu entendo). O Bark (o namorido) me ajudou a reeducar meus hábitos alimentares. Só nessa "brincadeira", perdi 5 kgs. Era praticamente um por semana!

Só que era (e ainda é) difícil manter meu peso ideal (48kg), afinal, eu amo comer e amo comer besteiras, como chocolate e batata frita, e não havia descoberto o ballet naquela época. Como muitas meninas, passei por academias, algumas tentativas frustradas de praticar esporte (como vôlei de praia) e terminei novamente sedentária. Não suporto exercício físico. Por incrível que pareça, prefiro fechar a boca do que correr todos os dias. haha Mas então, veio o ballet!

Eu não comecei o ballet pelo exercício, mas sim por paixão. E ganhei um presente incrível: pernas torneadas, menos celulites, mais disposição e consegui manter meu peso - bem, pelo menos em torno de 50kg. haha

É claro que eventualmente a gente sente vergonha, ou tenta cobrir uma parte aqui, outra ali, mas isso não deve atrapalhar no rendimento. O ballet está ali para ajudar e vai ajudar; é só você deixar. E, acreditem, 99% das mulheres querem mudar algo no seu corpo e tem vergonha de alguma parte dele. Estamos todas no mesmo barco. O que quero dizer é que vergonha não é motivo para não começar na dança. A vergonha deve ser direcionada para melhorarmos nossos hábitos e nossa vida.

Eu tomo como base a dieta dos pontos, dos Vigilantes do Peso. Nunca frequentei, apenas entendi como funcionava e fiz sozinha em casa. Hoje, não faço mais, mas os princípios dela estão sempre presentes na minha vida, pois não passa de, simplesmente, uma reeducação alimentar. Resolvi listar abaixo algumas escolhas que fiz, e que podem transformar a vida de qualquer bailarina acima do peso.

Atenção: Não sou nutricionista. Essas dicas abaixo são baseadas na minha experiência, ok?

-Eu cortei fritura e gordura do meu dia-a-dia. Ou seja: batata frita, comida chinesa e variados, só de vez em quando, ou final de semana. Chocolate ao leite também. No dia a dia, como o amargo, que é mais saudável e tem menos açúcar.

-Troquei tudo pelo integral: Pão integral, arroz integral. Uso açúcar mascavo no lugar do refinado também. Não tomo adoçantes, pois aspartame é um veneno, e eu pessoalmente não curto nada muito artificial.

-Coloquei muita fibra no corpo! Granola, linhaça... Isso limpa o organismo e desincha. Você não precisa depender de Activias da vida, você precisa comer bem e comer fibra!

-Eu nunca curti refrigerantes. Desde criança, odiava o gás. haha E pra mim, uma coisa melada como Coca Cola não mata sede de ninguém. Então, foi mais fácil cortar de vez da minha vida. Mas se você ama e tem dificuldade, lembre que eles são puro açúcar e celulite em lata. haha

-Eu também evito leite e achocolatados no dia a dia. O que eu bebo? Matte gelado (delícia!), água de côco, sucos variados - naturais e sem açúcar (acredite, é possível a partir do momento que você reeduca seu paladar), chás, café...

-Eu não como carne vermelha e, em casa, faço o possível para ser vegetariana. Não só por saúde, mas pelos animais mesmo (mas isso é papo para outro post, em outro blog). Substituo com muito verde (rúcula, brócolis, espinafre) e ovo. Na rua, opto sempre pela carne de peixe. Se não tiver uma boa opção vegetariana ou com peixe, acabo me rendendo ao frango. Atenção: Para cortar a carne, você precisa substituir por outras coisas e é bom ter acompanhamento de um médico e fazer um exame de sangue de vez em quando, pra ver se está tudo certinho.

-E, por último, reduzi as porções. Nada de três, quatro colheres de arroz no prato, dois pedaços grandes de peixe... Principalmente a noite. Procuro comer porções pequenas. E se comermos mais devagar (é difícil, eu sei, eu sempre esqueço rs) vamos perceber que essa nova quantidade já nos satisfaz perfeitamente. Com o tempo, seu estômago se acostuma e até diminui.

Mas, Carol, você é feliz comendo assim!? Sou! :) Quando vocês começarem a ver as mudanças no corpo e na pele (e na mente!), junto com o resultado da musculação do ballet, vão ser tão felizes tanto quanto eu. E olha que eu acho que ainda estou loooonge do meu corpo ideal.

É uma luta eterna pra quem tem um biotipo como o meu. Eu emagreço fácil, mas também engordo fácil - e rápido. Então, optei por este estilo de vida mais saudável (tanto por mim, quanto pela natureza e pelos animais), mas sem cortar pequenas doses de prazer, como um bom chocolate de vez em quando.

Acho que toda bailarina deveria fazer o mesmo. #ficaadica

foto que abre o post post: Sue du Jour

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ocean's Kingdom toma forma


O mais novo ballet do New York City Ballet
foi composto por ninguém menos que meu querido, Paul McCartney (já fiz até dois posts a respeito), e estréia amanhã em Nova York. Trata-se de uma história de amor under the sea. Bonito, né?

A Cássia me enviou o video oficial com entrevistas, making of, ensaios e aparece até a Stella (filha do Paul e estilista) fazendo o fitting do figurino.



"De um lado, eu sou uma filha trabalhando com seu pai, que é uma experiência incrivelmente notável na vida, não importa quem é seu pai. É também uma coisa muito emocional. De outro lado, eu sei e compreendo que eu estou trabalhando com Paul McCartney." - -disse Stella em entrevista à Vogue. Fofa

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O cambré


Recebi um pedido de fazer um post sobre o cambré e, lendo o comentário da leitora Dani, resolvi aceitar o desafio, mesmo não sendo meu ponto forte. Sempre fui muito flexível, mas isto não acontece na parte das costas, não sei por que! rs Prova disso é a dificuldade que sinto alongando esta área para fazer os arabesques. Meus cambrés não são ruins, mas também não são nada demais.

De acordo com minha professora, para se fazer um cambré corretamente, é importante prestar atenção em dois pontos:

1- O quadril deve estar devidamente encaixado e não deve inclinar para frente quando as costas inclinarem para trás


2- Não virar/torcer o tronco para o lado, tentando acompanhar o movimento da cabeça e do braço que é levantado.


E, realmente, esses são os erros mais frequentes de nós, bailarinas, principalmente quando não estamos concentradas no movimento que fazemos. O primeiro a sair do lugar quando estamos com a cabeça nas nuvens é o quadril, né? haha

No ballet, qualquer movimento deve ser pensado e requer atenção, ou o risco de lesões se torna maior. A Dani escreveu sobre sua relação pessoal com o cambré e deixou ótimas dicas nos comentários:

"Lisa Howell, uma fisioterapeuta australiana que trabalha exclusivamente com dança enfocando a parte do sistema nervoso, fez um post justamente sobre isso no Ballet Blog (linkado ali do ladinho). Não consegui encontrar esse em particular, mas encontrei outro em que ela fala sobre sentir náusea ou tonturas quando nos alongamos, o que é basicamente a mesma coisa. O motivo poderia ser tensão muscular em algum ponto da coluna ao pescoço, ou má postura na hora do alongamento, o que levaria ao "esticamento" de algum nervo que, por não ser flexível, acaba causando o mal-estar. E essa má postura nem significa "estar toda torta" no cambré, pode ser até um detalhe mínimo daqueles que tanto ouvimos os professores falarem. Eu nunca tive problemas com cambré (nos meus 6 meses de ballet, lol), mas faz pouco me mudei e fiquei 1 mês parada. Quando fui experimentar a 1a escola nova, a professora me puxou MUITO pro lado no alongamento na barra e acabei machucando as costas. Desde aí, tive alguns problemas, até passando muito mal numa aula de alongamento, e todos os cambrés estavam me deixando com uma tonturinha, até que descobri um detalhezinho que estava fazendo errado: subindo não pela barriga, mas com a cabeça, pondo mais tensão ainda nas costas e no pescoço. Desde que lembrei de usar o "panceps" pra voltar do cambré, não tenho mais problemas!"

O Alexandre, professor da minha ex-escola do Rio, adicionou mais 3 erros frequentes na hora de se realizar o cambré:

1. "Pendurar" a cabeça, ou seja, deixar a cabeça passar da costas, quebrando a curva da mesma.
2. Executar o cambré somente com a região lombar.
3. Deixar o braço passar da cabeça para trás.

Anotado? ;)

domingo, 4 de setembro de 2011

Quando começar nas pontas?

Esta é uma pergunta que me tem sido feita em vários comentários. Meninas, eu não sou a melhor pessoa para responder! haha Não sou professora, nem estudei a fundo. Mas posso dizer o que já ouvi por ai. Para crianças que começam bem pequenas, aconselha-se a usar a ponta somente a partir dos 9 anos de idade. Acredito que seja em função da formação óssea. Já as adultas... bem, acho que ainda é bem relativo, pois os professores ainda estão descobrindo. Eu comecei após 1 ano de ballet. Sim, somente 1 ano. Isto porque minha professora viu que eu tinha potencial e sabia que eu estava pronta.
É fundamental ter um bom professor, alguém que preste atenção em você como indivíduo e leve sua paixão pelo ballet a sério, mesmo que você seja "adulta". Dia após dia eu falo isso para minhas leitoras, via email. Se o professor não é bom (leia-se grosso, mal-humorado, antiquado, pretensioso, etc), procure outra escola.

No começo, eram apenas 15 minutos de ponta por aula por quase 6 meses, que só depois passaram a ser 30 minutos, e que sóóó depois passaram a ser uma aula inteira. Apesar de estar fazendo aulas de ponta há praticamente 1 ano, danço muito pouco nelas e o máximo de adrenalina que cheguei foi fazer uma pirueta torta no final de uma apresentação. Trabalho de pontas é igual a todo o trabalho do ballet: lento e gradual. Não pode ter pressa, ou ansiedade. Mas é sempre bom ter confiança e garra.

Quanto a encontrar a ponta certa, como já escrevi algumas vezes aqui no blog, só testando. Teste modelos, mude de ponta e de marca, até encontrar a sua preferida, e converse com seu professor. O professor tem a obrigação de orientar o aluno na busca da primeira sapatilha de ponta!

Sapatilha de ponta não precisa ser um martírio. Dói? Dói. Principalmente no início. Mas não é para esfolar seus dedos sempre, aula após aula. Se for assim, algo está errado. A não ser que você esteja ensaiando intensamente, claro. ;)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dia da bailarina

foto: J Crew

Desejo um feliz dia da bailarina para todas as minhas leitoras. As que comentam, as que só visitam, as que mandam emails cheios de dúvidas, medos, inseguranças, alegrias e realizações. O Meia Ponta mostra que não estou sozinha e dividir todas estas palavras com vocês, post após post, me ajuda a não desanimar.
Passo este dia da bailarina longe do ballet, mas sei que é por pouco tempo. Em breve, nos encontraremos novamente, eu e a dança que mais amo, ainda este ano.