terça-feira, 10 de março de 2015

das ansiedades



Esse post me ocorreu quando eu estava lendo alguns comentários. É bem comum leitoras comentarem (tanto por aqui, quanto em mensagens na página do Facebook) sobre suas dificuldades, seus anseios e preocupações. Pois bem, o título desse post seria "das dificuldades", mas eu mudei. Mudei porque ele vai ser, na verdade, sobre uma grande inimiga da dança (e, acredito eu, da vida): a ansiedade.

Eu sou uma pessoa bem ansiosa. Já fui pior, quando era mais nova. De enjoar, ficar dias sem comer direito... Quanto mais jovem eu era, mais eu encarava o mundo como se fosse acabar no dia seguinte. Acontece que existem certas lições, daquelas bem clichês que ouvimos dos nossos pais e avós, que realmente se concretizam. E infelizmente, o melhor remédio pra ansiedade (além de meditação, o que eu recomendo, apesar de ainda não ter dominado a prática por mais de 6 minutos rs) é o passar o tempo e a maturidade.

A gente nunca para de crescer e amadurecer, né? É um processo constante e acredito que é por isso que dizem que "há beleza em cada idade". Hoje, com 27 anos, acredito que sou menos ansiosa (já não faço tão mal à minha saúde e a mim mesma) porque aprendi que, na maioria das vezes, as coisas acontecem na hora em que precisam acontecer. E não estou falando de destino, ou de crenças religiosas. Independente das minhas e das suas, estou falando aqui de ação, reação e equilíbrio.

Você planta sementes na vida e a verdade é que, assim como na natureza, nada cresce e se desenvolve da noite pro dia, né? É preciso tempo, cuidado, paciência, dedicação. Assim é no ballet clássico também. Tenho recebido muitos comentários de bailarinas adultas que estão iniciando na dança entre 16 e os 21 anos (idade que comecei), já com muitos anseios e críticas em relação ao próprio corpo e técnica. Meninas, vocês acabaram de começar! rs Como podem julgar um corpo que ainda não foi moldado pela dança e uma técnica que vocês ainda nem tem? "Não tenho agilidade", "acho que não vou conseguir porque estou acima do peso" são algumas das frases que mais leio. Bem, vocês já pararam pra pensar que, se tiverem paixão, disciplina e deixarem o ballet agir com o tempo, isso tudo vai mudar?

Eu faço ballet há 6 anos. Ontem eu ouvi pela primeira vez da minha professora, num exercício de piqués na diagonal, que estava "subindo nas pontas direitinho". Primeira vez.

Estou há meses tentando fazer um giro duplo (vocês acompanham a odisseia) e ontem na aula foi a primeira vez em que consegui dar duas piruetas seguidas. De novo: primeira vez. Saí de lá tão feliz e realizada... Seis anos de ballet e finalmente estou dançando alguma coisa nas pontas. Veja bem, eu já dançava. Mas não é só porque iniciamos nosso trabalho de pontas que "chegamos lá". Muita gente se acomoda, mas a estrada é longa. Porque você pode até subir nas pontas, mas existe uma diferença enorme entre subir e dançar. E, principalmente, subir e dançar bem (algo que ainda estou buscando e acredito que, nesse ano, com aulas 3 vezes na semana, chego perto!)

Não escrevo esse post pra desanimar ninguém. Tudo depende da forma como você enxerga as coisas e isso vale pra tudo na vida. Desde que comecei o ballet, apesar de muito apaixonada pela dança, eu também tinha tanto respeito por ela que fui muito realista: "só daqui a uns 5 anos eu vou estar dançando alguma coisa". E de fato, é isso que está acontecendo. E não me sinto mal porque faz parte da jornada.

Assim como meninas que iniciam crianças (com 4, 5 anos) e só começam a subir nas pontas na pré-adolescência e a dançar direito lá pelos 12, é a mesma coisa com quem começa mais tarde. E a gente ainda tem outros muitos fatores da vida e do corpo adulto que influenciam, né?

É claro que eu também tive meus momentos críticos de ansiedade. Vocês presenciaram aqui no blog. A busca pela ponta perfeita é um dos que me lembro... rs Todo mundo tem esses momentos de fraqueza, mas não é bom se render a eles toda vez. É bom aprender com a experiência e seguir em frente mais madura. ;)

Por isso, calma. Se vocês soubessem o quanto um bom trabalho na meia ponta é crucial pra depois dançar bem nas pontas, não sentiriam tanta pressa. Por experiência própria, de nada vale correr e acelerar uma experiência. O ballet tem tantos momentos deliciosos pra se aproveitar, tantos detalhes... Uma barra focada, uma ponta esticada, respirar fundo ao forçar um pouquinho mais naquele alongamento... Tudo isso vale, cada coisinha conta no processo! Não desperdicem esses momentos pensando somente na ponta e em dançar. Pra dançar linda, é preciso tempo, dedicação e paciência.

Claro que extravasar é bom e estamos aqui pra isso: bailarinas unidas conectadas. Podemos trocar experiências, desafios. O lance é não carregar isso pra aula. Encare a aula como seu santuário. :)

Nada de ansiedade!

Relax and enjoy the ride!


4 comentários:

Rebeca Franca disse...

Me identifiquei super nesse texto! Me lembrei do meu primeiro dia no ballet, sabe quando você espera muito por uma coisa? Então, foi quase um ano esperando e esperando, e valeu muito a pena. No inicio eu caía, esquecia a sequência, fazia errado, e tinha o maior medo de não conseguir dançar, mas conforme os meses foram passando, fui percebendo que algumas coisas só se conquistam com o tempo, e que a minha coordenação motora é péssima, haha. Paciência é tudo nessa vida, por que nada vem fácil. Amo muito o seu blog <3
Bomba de Morango

Sah disse...

Nossa ...como o ballet me fez construir boas histórias a meu respeito!
Eu lembro que quando comecei eu ficava muito frustrada por não saber fazer um soutieval direito.
Quando eu aprendi ... eu fiquei tão feliz e olha que foi uma aula que a barra estava muito difícil naquele dia,mas eu saí tão realizada de ver ver meu cupé feito corretamente,os chassés,passo,passo e salta ! hahaha
Ballet pelo menos parra mim é arte da espera !

Maria Nascimento disse...

Carol estou emocionada aqui, muito obrigada por este post.
Eu tenho 21 anos e faço ballet a cerca de cinco meses e essa semana eu andei muito desestimulada por esta tendo dificuldades, mas com todas as palavras que você me disse, isso tudo me dar forças para continuar e me superar. Tudo em seu tempo.
Beijos
Maria

@tmsusewind disse...

É exatamente isso!
A dança nos molda e nos ensina a esperar... e, mais do que isso, nos ensina que o processo vale ainda mais a pena que o resultado final. O detalhe é que faz a diferença. Eu também sou mega ansiosa, antes era até mais... mas acho que até isso faz parte, pra darmos valor às nossas experiências depois. Seria melhor se percebêssemos antes, mas..rs. Às vezes não tem jeito. O processo basal, no nosso caso, o trabalho de meia ponta, é crucial para um bom resultado nas pontas. E você não se torna bailarina somente ao chegar nas pontas. O ballet vai bem além disso. E por isso é tão apaixonante!

Obrigada pelo belo texto, Carol! Adoro o seu blog!

Um beijo!