segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

the show must go on


Ontem foi o dia da minha apresentação de fim de ano. Foram duas sessões, uma começando às 10h e outra, 12h. O espetáculo comemorou 15 anos da academia onde faço aula e é sempre tão bonito reunir a família. Frozen é um tema muito rico. Uma das animações mais lindas que a Disney já produziu, com trilha sonora de arrepiar cada fio de cabelo. Foi impossível não se emocionar. Mas não foi só com a história...

Quem interpretou Elsa e Anna, além de alunas nas fases de criança das personagens, foram as donas e professoras da academia, minha tiaNatália e a tia Amália – que são também irmãs. Por mais que algumas pessoas tenham torcido o nariz pra isso, a dedicação de ambas para fazer um espetáculo incrível quebrou barreiras e preconceitos – e no final,  elas arrancaram lágrimas da plateia. Falar é sempre fácil. Difícil é estar ali, dirigindo uma academia, um espetáculo, ensaiando, cuidando de toda a produção e ainda interpretando os personagens principais de um musical. Se as personagens poderiam ter sido interpretadas por alunas da academia? Claro. Mas Natália e Amália queriam perfeição e precisavam de muita disponibilidade pra ensaios, então, resolveram assumir o papel de Elsa e Anna elas mesmas. Muitas vezes, com um projeto e um negócio seu, é assim que acontece. E eu entendo completamente. Acredito que toda a família NAC Dance entendeu, pois a gente está ali, no dia a dia, sendo guerreiro junto com elas.

É difícil ser "guerreiro" porque os desafios nunca terminam. A bailarina é guerreira desde o início, desde sua primeira aula até cada apresentação. A dança é uma batalha diária. Tem vezes em que os músculos doem, os pés rasgam mas você precisa (e quer) dançar. Tem vezes que não te pagam o que você merece, mas é seu sonho e você continua sobrevivendo de dança e para dança, como é o caso de quem é profissional, ou quem é dono de academia. Tem vezes que, não importa o que aconteça, the show must go on

Tenho certeza de que muitos ali estavam se sentindo como eu: preocupados, angustiados com o mundo lá fora e nossos problemas pessoais. TiaNatália interpretou Elsa duas vezes seguidas com seus filhos gêmeos internados, longe dela, em uma UTI. A Belinha tinha que sair direto da segunda sessão pra uma das provas mais importantes da carreira dela. E quantas outras mentes naquele elenco estavam em outro lugar? Mas, ao mesmo tempo, estávamos todos ali, unidos pela mesma coisa, por uma mesma paixão que nos mantém fortes mesmo nos momentos mais difíceis. E quando dava o terceiro sinal e as cortinas abriam, era hora de fechar os olhos, respirar fundo e acordar em Arendelle. 


Dessa vez, não senti que fiz tanto pelo espetáculo no palco: minha coreografia foi a "coroação da Elsa" e interpretamos freiras em um ballet contemporâneo. Nem se compara à Valsa da Neve do ano passado, que amei muito mais por ter sido meu 1º ballet de repertório. Mas fiz muito no backstage, o que me preenche de uma forma incrível. Amo poder ajudar a família, dar de volta toda a dedicação que me é dada nas aulas. Fiquei responsável pelo cenário e objetos de cena e também cliquei o backstage (algo que adoro fazer!). Não tenho muitas fotos minhas, mas no dia do ensaio geral, tiramos essa fotinho aqui (sou a freira da esquerda):


O dia do ensaio geral foi um desespero. Eu simplesmente confundi datas e esqueci dele! Tenho certo problema com agenda... A sorte é que moro relativamente perto do teatro e cheguei a tempo.

É, esse foi um ano atípico, com pouca dança, com pouca dedicação e atenção ao ballet. 2014 foi desafiador em todos os sentidos, na verdade. Um pouco assustador, às vezes, e cheio de surpresas, com muitas paixões que imploraram pra ser vividas, mas que não tiveram espaço ou tempo suficiente. Como a dança.

Dizem por aí que 2015 será mais leve, tempo de conclusões e colheita. Bom, mesmo que não seja, é hora de aceitar os novos desafios, porque guerreiro nunca para, ou desiste. E let it go.



sábado, 6 de dezembro de 2014

Boletim e reflexões de fim de ano


Chegou Dezembro e, junto com os ensaios de fim de ano, chegam as avaliações (internas e externas). E algumas reflexões também.

Foi um ano atípico e muito, muito acelerado, em todos os sentidos. Desde a pressa pra conseguir chegar na hora, até a troca de trabalho e conseguir chegar na hora, mas ter que catar cavaco pra acompanhar a turma – e as coreografias. Não fui só que quem passou por isso. A minha turma é bem misturada, o que tornou, inclusive, a avaliação um tanto quanto difícil pra nossa professora.

A gente começou o ano sendo chamada de "turma avançada". Mas não foi como desenrolou a história. Com o passar dos meses, alunas (e aluno) saíram, outras entraram e acabamos nos tornando uma mistura. Mas é uma mistura bacana, sabe? Eu gosto assim. Temos uma menina que já é formada em Dança e dá aula pra baby class, a Aline; outra que entrou bem novinha e já faz ballet há anos, a Belinha; três estudantes universitárias com suas correrias de entregas de projetos e horários doidos, como a Gabi, a Nicole e Nat, uma menina de 15 anos, a Sofia, que tá migrando de uma turma de nível abaixo pra nossa; uma mãe de gêmeas (que vão junto assistir nossa aula, fofas!), que era bailarina mas parou por 18 anos e só agora retornou, a Ana. E eu, bailarina "adulta" que começou a dançar há mais ou menos 5 anos atrás.

Como podem imaginar, são níveis bem diferentes, com limitações físicas, técnicas e também externas (de horários e problemas pessoais) diferentes também. Ainda assim, a gente conseguiu. Apesar do ano ter sido complicado pra todo mundo, com muitas faltas, ontem estávamos todas ali, fazendo nossa avaliação e ouvindo os comentários – sempre tão necessários – da nossa professora, mais conhecida pelos íntimos como "tiaNatália".  rs

Ela disse que entendia que ninguém ali queria viver de dança, ou ser bailarina profissional como ela queria, quando tinha nossa idade. Mas que, ao menos, precisamos nos comprometer com a nossa paixão, com nós mesmas. Porque só assim vamos conseguir manter um espaço pro ballet na nossa rotina, na nossa vida: fazendo dele uma de nossas prioridades. E no final, é isso. É esse mínimo de respeito, disciplina, dedicação e maturidade em relação à dança que vai nos fazer melhores bailarinas e pessoas também. É tudo o que ela vai pedir – e tudo o que a gente precisa dar. Não é muito. É o que a gente precisa, na real.

Eu não evoluí muito esse ano e tenho consciência disso. Não me desafiei tanto como gostaria. O "avançado" foi uma ilusão – ilusão essa que pretendemos todas mudar ano que vem. Eu também gostaria de participar mais do espetáculo. Se não der pra dançar mais, pegar algum personagem pra interpretar. Sempre fico com essa sensação no fim do ano, quando vejo tudo pronto. Dispensei o papel do Olaf (elas queriam uma menina baixinha rs) por medo de atuar e decorar falas. Mas ano que vem, quero quebrar essa barreira também – que sei bem quando começou: quando travei e esqueci uma poesia, no palco, na frente de todo mundo. Poesia essa que eu deveria ter decorado pra um duelo de turmas na escola, quando tinha uns 7, 8 anos. Minha turma perdeu por isso. E eu sei a poesia até hoje. Inteirinha. rs

Acabo ajudando muito no backstage, com o cenário, com as crianças, fotografando... Gosto de fazer parte, de pertencer. E como gosto muito da academia onde faço aula, sinto que devo isso de volta. Foi a tiaNatália que me deu a oportunidade da dança, pela primeira vez, e vou ser sempre grata por isso.

Fomos avaliadas separadamente na prova, cada uma com seu nível específico. O meu, no caso, seria o Médio II. Mas confio que ano que vem isso muda. Isso tem que partir da gente, sabe? E sei que todo mundo ali tá disposto pra evoluir junto.

Hoje no ensaio rolou uma fofoca de que uma mãe tinha reclamado que "as crianças não ensaiam o suficiente e as turmas adultas são fracas". Sinceramente, quando eu era criança, decorava to-das as minhas coreografias, fosse em apresentação de escola ou na academia de dança. Eu sempre me dedicava muito e, se uma criança, depois de tantos ensaios (porque ensaiamos!) não decorou ainda, talvez ela não queira dançar. Talvez ela queira fazer outra coisa. Talvez falte ensinar mais sobre disciplina pra ela. E isso, se aprende antes em casa. E as turmas adultas são fortes, sim! Nós somos muito fortes. Porque mesmo com um ano cheio de tropeços e desafios, sempre chegamos nas aulas, esbaforidos, correndo atrás, querendo dançar. E dançamos. Seja com faculdade, trabalho, filhos, problemas pessoais. Nós estamos sempre dançando. Fraco é quem fica só assistindo, reclamando, e vendo a vida passar – sem dançar.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Você quer brincar na neve?


E os ensaios de fim de ano já começaram. O tema, claro, vocês já descobriram pelo título do post: Frozen. Eu amo Disney e inclusive fiz questão de diminuir meus dias em NYC nessa última viagem para passar 4 dias felizes em Orlando, pela 3a vez, porque Disney nunca cansa. Sendo assim, é claro que não me importo do espetáculo ser Frozen. Estou até hoje curtindo a trilha sonora – não, ainda não deu pra enjoar!

Sim, sou fresca e prefiro as versões em inglês, mas é ok ser em português. Não curti muito a minha roupa e nem o que eu vou ser (freira na coroação da Elsa...é), mas vai ser minha primeira coreô de ballet contemporâneo. É quase um jazz, pra ser sincera, só que nas pontas. Tá bem exótica a coisa... Mas quer saber? Pra mim é tudo novidade.

Então, vambora brincar na neve nem que seja no palco, porque o calor já tá chegando com tudo.

A foto é um registro do cenário. Vai ficar bacana...

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Visitando a Gaynor Minden em NYC


Há um tempo atrás, minha amiga, Clara, vistiou a loja da Gaynor Minden em NYC e gentilmente cedeu seus cliques e depoimento pro Meia Ponta nesse post aqui. Eu me apaixonei pela loja, pela experiência e, tendo eu uma Gaynor que ganhei de presente há alguns anos atrás, disse pra mim mesma que a loja seria meu primeiro destino quando visitasse a cidade novamente (a primeira vez que passei rapidamente por NY, tinha 18 anos e ainda não fazia ballet). E assim o fiz. :)


Logo no 1o dia, comecei fazendo o turistão: subi no Top of the Rock pra olhar a cidade, dei uma voltinha no Rockefeller Center, visitei a Times Square e, então, era hora de partir pra Gaynor. 

Eu tinha 1 hora pra chegar lá, mas não foi o suficiente pra uma perdida. rs Confundi os West e East sides da rua, rodei muito e cheguei lá meia hora atrasada e com os pés doendo. Mas no final, deu tudo certo. O dia não estava movimentado e fui atendida no minuto em que cheguei.


A atendende foi super simpática e me contou que muitas brasileiras vão lá. Inclusive, logo depois da minha consulta, chegou um casal de brasileiros e mais uma outra menina, que estava comprando pra uma bailarina no Brasil. A atendente disse que sabia até algumas palavras-chave, como "fita" e "dura". rs Eu falo inglês numa boa, então, consegui me comunicar bem. Mas pra quem vai e não se sente confortável falando a língua, fica a dica: eles estão preparados para atender brasileiros. ;)


A consulta foi rápida. Ela mediu meus dois pés e também pediu pra eu fazer ponta, pra analisar minha arcada. Depois, foi no estoque e pegou uma sapatilha no saquinho amarelo. Experimentei dois números que ficaram um pouco grandes. Ela pedia pra eu fazer plié e ponta de pé e a gente analisava. Quando sobrava muito atrás, eu pedia um número menor. Enfim, a 3a ficou boa! 


Eu perguntei o que significava o saco da cor amarela, porque quando ganhei a minha primeira Gaynor, ela veio fora do saco oficial e nunca soube qual era o meu. Ela me explicou que eu havia recebido a sapatilha no saco amarelo porque era um modelo pra pé mais forte e também em função da minha arcada. A brasileira que estava comigo levou a dela, se não me engano, num saquinho rosa. De acordo com o folheto de instrução que vem junto com a sapatilha, a Yellow, chamada de ExtraFlex, pode ser comparada a uma sapatilha um pouco usada. Antes dela, vem a Hard, do saco verde, e depois, as mais molinhas, dos sacos rosa, turquesa e lavanda.

De acordo com o folheto, existem 3.116 tipos de fitting options! Muita coisa, né? Um outro detalhe especial que a atendente me explicou foi que eu estava levando uma sapatilha com tecido diferenciado. A Gaynor Minden Luxe. Dá pra notar que a sapatilha tem uma textura mais fofa e na etiqueta que acompanha o produto, vem escrito que esse material não enrruga tanto e "é ideal para uma performance, uma sessão de fotos ou qualquer momento em que você precise que sua sapatilha esteja perfeita!" Já viram como vai ser um dó pintar pra apresentação, né? rs Acho que vou manter minha Gaynor antiga pra isso... haha

O total, junto com o elástico e as fitas (pois vendem separados) foi $131.70, já com as taxas. Somente a sapatilha (sem taxa) foi $119. Aqui no Brasil, até a última vez que chequei, uma Gaynor custava em média R$400, o que hoje em dia dá mais ou menos $170.

Tirando a correria pra chegar e a preocupação por estar perdida (rs), foi uma experiência muito bacana, que toda bailarina merece ter. Foi emocionante chegar na frente do prédio de uma das marcas mais tradicionais e importantes de sapatilhas do mundo. Experiência pra guardar com carinho pra sempre!

Como eu marquei minha consulta: por email, em inglês, pelo fitters@dancer.com. Não é preciso marcar com tanta antecedência, mas eu marquei 3 meses antes.
Endereço: 140 West 16th Street, NY

domingo, 17 de agosto de 2014

O tal do giro duplo


Eis que chegou o tempo. O tempo do fouetté, do pas de valse na ponta, alternando os braços (acreditem, eu acho bem complicado! rs) e... do giro duplo.

Os dois primeiros são só uma questão de repetição e concentração, porque a mecânica do corpo eu já entendi. Mas o giro... Confesso que já estou há 1 mês tentando entender como funciona, como ele acontece.

Quase sempre no final da aula, na diagonal, fazemos uma sequencia de tour piqués que termina com um duplo. Eu nunca fiz nem duas piruetas, então, foi uma novidade extremamente exótica tentar continuar girando. rs

Eu costumo bocejar nas aulas de ballet e só aprendo uma sequência na barra depois de meses -- isso porque minha aula é sempre à noite, às vezes 20h30, e já estou muito, muito cansada do dia. Minha professora de Brasília dizia que era ok, porque ali eu relaxava. E relaxo mesmo. Esqueço, desligo. Faço tudo com bastante empenho, claro, e depois que decoro, vai no automático.

Mas quando chega o giro duplo, preciso dar aquela concentrada de novo. De onde vem a força? (Até onde entendi, do abdomen). E o segredo pra continuar, pro seu cérebro entender o que vem a seguir? É só girar de novo a cabeça? Como seu corpo simplesmente continua girando nas pontas?

Não sei como é pra vocês mas, pra mim, é muita coisa pra pensar num momento tão rápido, de sequências, e ainda estou acostumando meu corpo -- e me acostumando a dar a ele as devidas direções também.

Quando consigo alinhar tudo (postura, execução correta do passo, força no abdomen e dois giros da cabeça) ele sai. Meio desiquilibrado, quase caindo (e às vezes, faço na meia ponta pra conseguir realizar o passo corretamente e, então, subir pra executa-lo na ponta) mas sai. Mas que demora, né?

Bem, mas quem disse que ballet era fácil? Só de eu ter chegado nesse desafio, já fico feliz. Lembro de quando não sabia nem fazer quinta posição, ou pas de valse na meia ponta e -- quem diria? -- hoje eu só faço aula nas pontas (e nem saio tão arrebentada assim).

Giro duplo é pinto (falando pra ver se de fato isso acontece rs).

terça-feira, 5 de agosto de 2014

As peças da LoHa Danse Boutique


Dia desses eu me deparei com uma mensagem carinhosa no Facebook do Meia Ponta. Era a Julia, criadora e estilista da LoHa Danse Boutique, me convidando a conhecer a marca. A LoHa é uma marca super linda de artigos pra dança e assim que vi o lookbook no site, me apaixonei de cara!


É tão difícil encontrar peças diferenciadas de ballet aqui no Brasil, com preço acessível, design criativo e que sejam também confortáveis pra dançar. E a LoHa consegue unir todas essas características. Isso porque a Julia, além de bailarina, se formou em moda e, assim como eu, preza pelos detalhes e pelo design. Tem que ser funcional, mas também bonito! 


Eu não tenho lá muitas peças pra fazer aula. Confesso que revezo entre dois collants pretos, duas meias rosas, uma preta, duas saias e foi. rs Mas adorei testar coisas novas! Comecei pela que me deixou mais curiosa: uma luva de tule preta, bem diva, que funciona como uma polaina para os braços. É bacana pra hora de aquecer quando estamos fazendo aula no frio e, apesar do inverno no Rio não fazer nem cosquinha, na região que eu moro a temperatura cai bastante durante a noite e fica bem gelado!


Não sou fã de fazer aula só de collant (e nem tenho corpão pra isso rs) então, mal pude esperar pra vestir o uniforme inteiro: collant branco, saia de renda preta e bolero de tule preto! Adorei os contrastes do preto+branco. E esse collant é muito bacana -- talvez a peça mais diferente. Ele tem duas partes, uma que cobre os seios e a parte de baixo, que vai até mais ou menos a cintura, e a barriga fica transparente, o que não me incomodou. Mas deu uma pena de usar... Quero guardar pra produção dos meus editoriais d'aLagarta. haha Esse collant tem na versão preta e é lindo demais! Também quero. rs


A sainha rendada é uma graça e adorei o movimento que ela fez  -- dá pra reparar na foto que abre o post. Quero usar muito, sem pena! rs Ela cobre na medida certa, mas mantém uma transparência e deixa a produção linda! 

O bolero foi um caso de amor porque há muito tempo eu buscava uma peça pra me aquecer nos dias frios e também pra cobrir as axilas quando eu não estou depilada. haha E no lugar de ficar vestindo blusas que impedem a professora de reparar se sua silhueta está alinhada e o quadril encaixado, o bolero é uma ótima opção! ;)


Quero agradecer mais uma vez a Julia, que me atendeu super bem e até trocou uma saia quando a primeira ficou pequena para o meu bumbum. rs Sou uma bailarina de corpo, com coxa, peito, bunda, e fiquei até apreensiva -- principalmente com o collant - com medo do look não funcionar de fato em sala de aula. Mas deu tudo certo e fiz aula tranquila. :)

Gostou? Siga a LoHa:

Beijos e até o próximo post!



terça-feira, 8 de julho de 2014

Nova fase nas pontas


Demorou. Demorou bem até eu sentir.

A primeira vez que subi nas pontas na vida, numa Capézio, pensei em desistir (por 5 segundos, mas pensei). Acredito que já contei essa história por aqui. Eu tinha 22 anos e não sabia nada de pontas. 

Depois de um longo período de adaptação e procura, tendo passado pela Toshie da Só Dança (que também me dava uma moída básica nos dedos), ganhei uma Gaynor de presente e tudo mudou. A vida ficou linda outra vez. rs Eu passei a só usar esparadrapo pra proteção e nunca machuquei meus pés com feridas muito feias -- sentia apenas dor muscular do trabalho nas pontas mesmo, ou uma bolha aqui e ali... A Gaynor de fato é a senhora das sapatilhas, mas eu sabia que tava muito bom pra ser verdade... rs

Como faço aulas duas vezes na semana e minha rotina de ensaios se resume a duas apresentações por ano, minha Gaynor dura até hoje. Já bem macia, um pouco gasta, mas ainda segurando firme! Já os meus pés...

Depois de passar pela experiência cansativa de dançar pela primeira vez uma coreografia de ballet de repertório, agora passei a sentir mais dificuldade no nível avançado das aulas em função dos machucados. Eles finalmente vieram me visitar. Antes, só uns calinhos ficavam pra contar história... Agora, o esparadrapo e uma meia que protege o pé já não dão conta. E eu estou começando a ficar muito irritada em perder o equilíbrio de uma pirueta não necessariamente por falta de técnica, mas porque sinto uma unha quebrando, ou um machucado abrindo. 

Tem que ver isso aí... Nunca usei ponteiras e minha Gaynor é do tamanho exato do meu pé. Não dá pra colocar mais muita coisa ali dentro... O que vocês, ballerinas, costumam usar, além da ponteira de silicone? Dividam comigo! :)

Estou começando a considerar aquela de espuma, mais fina... Ver se dá jeito até comprar uma nova Gaynor, feita especialmente pro meu pé e com devido espaço pra proteções extras. Pelo menos, essa data está próxima! Juntei uma graninha depois de muita ralação e, em Outubro, vou para NY, visitar a loja pessoalmente! Já estou agendando minha visita e pode deixar que vai rolar um post super completo sobre tudo isso por aqui.

Até lá, dicas, comentários, palavras de apoio? rs

Beijo!

A foto do post é da marca Free People

domingo, 27 de abril de 2014

a bailarina que eu semper quis ser

Você começa querendo o mundo. Não necessariamente naquela ilusão de ser profissional, mas quer ser perfeita. Eu não queria a fama de 'bailarina adulta', eu queria que a dança entrasse na minha vida de forma que parecesse que sempre esteve lá. Ser o melhor que eu pudesse ser e não me contentar com o começo tardio -- e nem usar isso como desculpa pra falhas.

A preocupação resultava em pressão. Mas a vida acontece e, quando você cresce um pouco mais, percebe que não é bem assim que é bacana de se levar, por mais que o ballet seja uma paixão. Quando tudo o que você tem são poucas horas e dois dias da semana, chegando atrasada e "catando cavaco" pra acompanhar, tudo se transforma. Os valores mudam.

Mas o curioso é que o ballet se manteve na minha vida muito mais forte do que eu podia imaginar. Ele virou um universo paralelo, particular, no qual espanto demônios, no qual eu esqueço do mundo lá fora.  Algo muito mais precioso do que eu poderia desejar.

Eu entendi que ainda posso dar o meu melhor, mesmo com pouco tempo. E a cada novo ensaio, numa coreografia da turma do avançado, a cada subida nas pontas, pirueta bem terminada, a cada novo passo, eu sinto que estou no meu lugar, vivendo o ballet como ele deve ser pra mim. Sinto que sou a bailarina que sempre quis ser.