sábado, 4 de agosto de 2012

Ballet Beautiful: entrevista com Mary Helen Bowers


Ballerinas, há tempos que eu prometia esse post: a tradução de parte de uma entrevista com a bailarina Mary Helen Bowers para a revista Lula (que eu amo!). A Lula é uma revista inglesa e sempre publica matérias sobre ballet.

Mary Helen Bowers é criadora do Ballet Beautiful, um programa que torna o ballet possível para todas as mulheres. Ela se tornou bailarina profissional aos 16 anos (quando entrou para o New York City Ballet), aposentou-se para fazer faculdade e quando retornou à dança, treinou Natalie Portman para o filme Cisne Negro

Foto: Reprodução


Selecionei as partes que considerei mais bacanas, que falam da importância de um corpo saudável, o lado bom dos palcos e também o lado que fez Mary se aposentar cedo para seguir, por um breve período, outra vida. Espero que gostem!

Não sou profissional de tradução e apesar de ser formada em inglês, nem tudo pode estar perfeito, ok?


"Ask her to dance"
Entrevista da edição 13 da Lula Magazine com Mary Helen Bowers.


"O que caracteriza uma "*bunhead", qual a sua principal qualidade?
Eu acho uma bunhead é aquela pessoa que nunca solta o cabelo, mesmo depois das aulas, num sentido literal e figurativo. Esta não é a maneira que adolescentes "normais" pensam e agem e talvez seja o principal motivo pelo qual as bailarinas são rapidamente reconhecidas nas ruas. Muitas bailarinas não têm a oportunidade de ter uma vida escolar normal. O mundo da dança é bem insulano. Você vive como se o sol nascesse e também fosse se pôr no palco.(…)"

*Bunhead é como os americanos apelidaram as bailarinas profissionais. Significa, na tradução mais tosca, "cabeça de coque". 

"Quais são os desafios da vida de uma bailarina profissional?
O maior desafio é aprender como cuidar do seu corpo. Toda a sua vida como bailarina acontece em volta de seu corpo. Quanto melhor você souber cuidar dele, melhor será seu desempenho." 

"Qual é a real definição de "Bailarina"?
Eu diria que uma Bailarina é uma mentalidade e uma atitude."

"O que você sente quando está dançando no palco?
É realmente mágico quando se está no palco. É o momento da sua arte. A luz, o figurino,  música, é um lugar sagrado. Eu ficava nervosa antes de me apresentar num papel fisicamente difícil, pois sabia o quão difícil seria, uma energia nervosa excitante. Mas nada que me paralisasse. Mais excitação do que medo."

"Por que você resolveu se aposentar tão cedo?
Eu dancei no NYCB por dez maravilhosos anos. Mas o momento veio quando eu queria realizar outras coisas. Eu queria estudar e fui aceita na Universidade Columbia. (…) Eu realmente adorava ir às aulas e ler os livros, debate-los com estudantes e professores (…). Esta foi uma grande mudança na minha vida como bailarina profissional, que é incrivelmente expressiva, mas também muito física. (…) Isto fez com que meu mundo se abrisse e eu tive a oportunidade de ter uma identidade além de uma profissional da dança, o que era algo bastante importante para mim. Eu tirei um ano sem fazer nenhum exercício físico quando entrei na Columbia. Nem fazer ponta com o pé. Dei um verdadeiro tempo ao meu corpo e à minha mente. Eu tive que criar uma realidade fora do ballet para poder retornar a ele e compartilhar a dança com todo mundo. Eu aprendi o que pessoas que não dançam pensam e sentem, e como seus corpos respondem aos exercícios. Eu criei o meu programa do Ballet Beautiful inicialmente para me fazer uma profissional melhor, mas o que me motiva todos os dias é compartilhar o programa e sua filosofia com mulheres do mundo todo. Eu adoro trabalhar com meninas que tiveram um passado na dança, mas também com clientes que nunca dançaram na vida, mas adoram porque se sentem fortes e graciosas." 

"Como você começou o Ballet Beautiful? De onde veio a idéia?
Quando me formei na Columbia em 2008, lancei o Ballet Beautiful. Inicialmente eu tinha alguns clientes que atendia em casa. A maneira como tudo cresceu foi através do boca a boca. Quando eu fiquei um ano sem dançar e tive que voltar a ficar em forma, eu realmente usei o meu programa para faze-lo. E foi incrível como meu corpo respondeu aos exercícios. (…) O Ballet Beautiful foca no poder feminino, uma forma muito específica de força e energia. (…)"

"Como foi treinar Natalie Portman para Cisne Negro?
O treinamento para o filme foi bem animador, mas também bem desafiador. Quando você fala de ser inspirada por uma mulher, Natalie é uma inspiração inacreditável. Ela é talentosa e esforçada, bem-sucedida e uma ótima pessoa também. (…) Atuar é a arte da Natalie, mas ela estava de acordo em se comprometer por um ano com a dança para se preparar para um papel; foi simplesmente incrível. A rotina era brutal porque a gente estava treinando no topo de sua vida de atriz. Isso significa acordar 4h30 para me encontrar na academia, nadar, em seguida treinar por duas horas o programa Ballet Beautiful com exercícios e alongamentos. Depois ela ia para o trabalho e me encontrava novamente a noite para mais horas de treino de técnicas e pontas. Depois, ia para casa, dormia e no dia seguinte fazia tudo de novo. Nós treinamos por um ano, mas os últimos seis meses antes das filmagens treinamos 5 horas por dia, seis dias por semana, junto com outros filmes nos quais ela estava trabalhando. Se ela não estava em nenhum set, nós trabalhávamos 8 horas por dia. Ela foi muito dedicada." 

"Quais são suas dicas de nutrição?
Nutrição é equilíbrio. Eu descobri que tinha ideias erradas a respeito de nutrição, como "carboidratos são ruins" ou " você não pode comer açúcar". É só fazer as escolhas certas. Eu sou muito fã de carboidratos, mas não é por isso que vou sair comendo um pão doce! Como muitos grãos, nozes e abacate, proteínas magras, frutas e vegetais. Eu como carne e preciso da proteína porque me exercito muito e também tenho minhas "recompensas" que são importantes pra mim, como chocolate, queijo e vinho!"   

Gostaram? :)

A Lula também tem, em outra edição, uma entrevista com Karen Kain, diretora do National Ballet of Canada. Em breve, traduzo parte dela pra vocês.

Beijo!

2 comentários:

Amanda Paiva de Carvalho disse...

Eu simplesmente amei a entrevista. Cada vez que leio e vejo vídeos de ballet, mais me apaixono por essa arte!

Beijos

Laryssa Huana disse...

Adorei o blog
Fiz ballet dos 8 anos de idade aos 12, sair para me dedicar aos estudos.
Hoje com 23 anos estabilizada profissionalmente revolvi voltar, não sei como consegui ficar tanto tempo longe dessa paixão, ficar longe das sapatilhas, dos tutus, os coques. O mundo da dança é transformador, é mudança física e espiritual, é um jeito diferente de ver a viva, de encarar os problemas, de alcançar os objetivos. O ballet é um estilo de vida mágico!!!