segunda-feira, 12 de março de 2012

Todos os encantos


Acabo de ler em um tweet de uma amiga "3 coisas que me encantaram hoje", seguido da lista. Achei interessante a ideia de tentar separar somente 3 coisas que me deixaram encantada no dia de hoje, mas parece ser uma tarefa impossível.

Este dia já estava marcado há um tempo na agenda. Mas assim como uma viagem boa ou um show do Paul McCartney, eu tentei não pensar muito até sua chegada -- mas tentei curtir ao máximo enquanto ele durava. Só que os momentos bons sempre acabam se tornando cenas embaçadas em nossa mente, não é?

Já postei sobre Ana diversas vezes aqui no blog. Há um post do qual gosto em particular, o Botafogo e Ana (me disseram que ele daria um ótimo conto! Pretendo escrever um dia). Mas este a seguir é especial.

Nós ouvimos falar de pessoas como ela desde pequenos. Eu não preciso ser bailarina para saber de sua importância. Antes de admira-la como bailarina, eu já a admirava como brasileira. Assim como a gente admira pessoas como o Ayrton Senna ou Pelé. É uma forma clichê de ver as coisas, mas é a verdade.

E então, me tornei bailarina. E o ballet tem feito tanto por mim que eu nem encontro palavras para descrever. Lembram daquele post-desabafo que escrevi, quase sem fôlego e com muita paixão, sobre a tragédia que é ser bailarina adulta? Tive que controlar aquele tipo de sentimento hoje. Não porque sou uma maníaca, mas porque... gente, eu passei o dia ao lado da Ana Botafogo! E olha que esta não era nem a primeira, nem a segunda vez que eu estive com ela (já a entrevistei para a revista aLagarta, lembram?). Mas é que Ana é o ballet. E o ballet é muito, mas muito querido por mim. Os dois caminham juntos na minha cabeça. Um dos primeiros livros que li foi o dela. E até hoje lembro dos meus olhos enchendo de lágrimas quando a vi subir no palco pela primeira vez.

E lá estava ela, maquiando de roupão. Queria falar demais, perguntar demais... mas estava ali como profissional e profissional eu fui. Ana é a artista mais easy going que já conheci na vida (já fotografei algumas bem frescas por aí) e depois de um tempo, você relaxa. Parecia até mais um trabalho do estúdio, dirigindo mais uma pessoa, como sempre.

A sensação era de um alongamento heavy-metal: cheguei tensa, travada e com medo. Minutos depois, já estava relaxando e no final saí leve e com uma sensação maravilhosa. A gente riu, a gente conversou, a gente brincou com o Puí.

Sou capricorniana, sabe. Eu foco. Porque se não foco, eu me perco. Sabe a coisa de virar a cabeça numa pirueta? Então. Tentei me anestesiar durante todo o processo e agora estou tentando relembrar todos os encantos.

Se eu não focasse, iria me deixar perder no País das Maravilhas, ou melhor País das Bailarinas. Vocês não têm no-ção do corredor cheio de quadros, pôsteres e lembranças da Ana! Resolvi clicar uma souvenir para guardar com todo carinho: uma sapatilha eternizada em tom de cobre -- a coisa mais linda. Guardei a imagem no clique e no coração.

Sabe, a vida me dá oportunidades tão incríveis como esta de hoje, que tudo o que eu faço antes de dormir é agradecer. Eu sou a pessoa mais sortuda do mundo. Tem uma amiga que diz que não faz questão nenhuma de conhecer os ídolos, porque o ser humano é cheio de falhas e ela só se decepcionaria. Mas até a sorte de ter como ídolos pessoas realmente admiráveis eu tenho!

A palavra, na verdade, não é sorte. Porque poder ser artista e criar em conjunto com quem você admira não é mera sorte, não é algo que se tira de dentro de um brinde de Kinder Ovo ou de um pacote de figurinhas. Pra mim, é uma certeza de que o ballet, ainda que tardio, é um dos maiores presentes que eu poderia ganhar nesta vida.

Ah, antes eu tivesse me rendido ao chamado da minha alma, quando aquela sensação de nostalgia me dominava em cada filme, a cada sapatilha dançante que passava na minha frente. Antes eu tivesse começado o ballet aos 11 anos, quando uma menina na aula de jazz me disse que eu tinha os pés perfeitos. Eu me fechei para ele. E hoje, ele mais uma vez, abriu a porta pra mim.

Carla e Ana criando um Gravatar pro blog e uma das lindas orquídeas que estavam espalhadas pela casa.

Puí, o pug da Ana


Coisas que vocês precisam saber para entender este texto:


-A Loja Ana Botafogo vai lançar um novo site, com um blog incrível, cheio de colaborações bacanas.

-Em função disto, eu vim até o Rio para fazer um video surpresa com a Ana, especialmente para comemorar a chegada do blog.

Aguardem ;)

4 comentários:

Sara disse...

Pois é, um dia com a Ana Botafogo não é para todo mundo... mas, você merece!
Um beijo!

Vivi disse...

Que relato maravilhoso! Lindo!

Obe disse...

"quando uma menina na aula de jazz me disse que eu tinha os pés perfeitos."

Há coisas, momentos que não foram vistos por todos, às vezes por quase ninguém, mas que nos marcam tanto.
Talvez, pra menina, tenha sido apenas um comentário, sincero, mas simples.
Mas pra você foi marcante. Marcante pra tua possível carreira de bailarina. E engraçado também, daqui, eu pensar que você já tinha olhos de profissional, anseio disso. Acho que algumas pessoas já nascem um pouco adultas, sabe? Decididas sobre "planos de carreira". Eu, pelo menos, era um pouco assim!
Mas não se sinta mal, tente evitar essa "sensação de tempo perdido por não ter começado antes".
É difícil pra eu dizer e aceitar isso, tendo em vista algumas frustrações e me sentir atrasada com um mundo de coisas, mas no final das contas, nossa vida é do jeito que tem que ser mesmo.
Uns viverão isso, outro aquilo.
E eu tento trabalhar justamente isso: não me sentir menos feliz por nunca ter vivido tal coisa.
A felicidade seria tão chata assim em ser, estar apenas numa coisa só?
Talvez, quase certo, se você tivesse seguido carreira, não teria conhecido muita gente, muita gente não te conheceria. E não dá pra gente saber se teria aquele sucesso que sempre esperamos numa profissão.
De forma algum digo que bailarinas profissões não são felizes, realizadas. Mas existe a possibilidade de uma "não satisfação". A gente às vezes nem imagina, né?
O que importa é que você respira isso, o tem pra si. De uma forma até mais leve, que não te cobra como seria se você fosse profissional da dança. Tudo tem um lado bom.:)
Mas, indo pra Ana e pras coisas que te encantaram.
Bah, não concordo com tua amiga sobre os ídolos. A gente precisa enxergar que são humanos, não esperar por divindade. Aliás, melhor assim, né? Gostaria de conhecer alguns sim!
Teu dia foi presente pra todo mundo que acompanha o blog, né?
Ah, não foi sorte mesmo não. Foi um encontro, mas que além de merecido, teve ação sua, da vida, de tudo.
Acho que teu dia vale não apenas por ter ficado ao lado da Ana o dia todo, mas justamente por te mostrar( e você, teima às vezes em achar que "não é bem assim") que você é uma bailarina, que isso faz parte de você! Sabe aquela Jam que fui? Tinha um cara sem pernas.
E foi um misto de susto e alegria vê-lo dançando lá.
Acho que a melhor coisa na vida, é a gente nem sempre precisa de aulas, de instruções.
Tanta gente não tem condições de fazer aulas de balé, mas todo mundo pode colocar uma música e pôr pra tocar e ficar saltando no quarto.
E ter momentos de felicidade. :)

Hoje mesmo tava um poço de frustração, falei coisas terríveis pra minha mãe. Senti-me tão mal...e só quando olho pra ela...é que vejo que a felicidade está no que a gente VIVE de bom, deixando de lado o ruim. Tenha o balé enquanto puder.
O passado já foi.

Obe disse...

E olha que beleza!
Blog novo cheio de colaborações.
Huuuum... Vem coisa boa aí.
Hahah.