quarta-feira, 30 de novembro de 2011

As pernas de Danilova



Hoje de manhã, estava procurando algumas imagens para publicar na página do Meia Ponta no Facebook e me deparei novamente com as lindas pernas de Alexandra Danilova.

Alexandra era uma das mais populares bailarinas russas das décadas de 30 e 40. Dançou primeiramente pelo famoso Ballet Russes, de Sergei Diaghilev (sendo coreografada por ninguém menos que Balanchine) e depois pela "continuação" da cia, quando a mesma virou "Ballet Russes de Monte Carlo". Alexandra era grandona. E tinha pernas. E que pernas! Confesso que elas são uma inspiração pra mim.


Nossa visão estética está meio distorcida. Bem, os tempos mudaram, né? Na época de Alexandra, o ideal de beleza era outro, mais voluptuoso. Aposto que muitas vão ver essas imagens e dizer que ela era meio gorda para ser uma prima ballerina. Mas ela era! Não só uma prima ballerina, mas uma diva haha (Quem puder, assista ao DVD Ballet Russes para entender)

Hoje, Alexandra me inspirou a ter orgulho das minhas pernas (afinal, o que vou fazer, me jogar da ponte mais próxima porque nasci assim? No way!) e estou até sentindo falta delas. Eu explico:

Um dos benefícios "estéticos" mais bacanas do ballet é moldar nossas pernas perfeitamente, deixando-as secas e musculosas, mas ao mesmo tempo sem aumenta-las.
Logo, faz muita diferença estar parada há meses; isso reflete logo nas minhas pernocas.

Eu ganho músculo fácil, então, quando estou fazendo aulas, minhas pernas logo se modificam, secam e perdem celulites (sim! isso é possível). Separei uma foto minha na época em que estava no "auge" do ballet (haha), fazendo um grand jeté na praia, lá no Rio. Lembro de ter ficado imensamente orgulhosa porque não precisei retocar nada na minha perna no Photoshop.



Pernas, eu voltarei! Prometo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Hoje eu sonhei com ballet


Quando o ballet aparece nos meus sonhos, geralmente reflete algum sentimento escondido lá no fundo do meu ser a respeito de alguma situação que, na maioria das vezes, nada tem a ver com a dança.

Sempre tenho pesadelos com o ballet. Quando morava e fazia aula no Rio, era minha professora de lá quem aparecia e me dava várias lições duras e verdadeiras sobre tudo. haha Aqui, pela primeira vez, apareceu a Mônica, professora querida que já não me vê há alguns meses, pois ainda não consegui me organizar 100% financeiramente para voltar às aulas.

Eu sempre fui daquelas alunas super dedicadas, que ajudam no espetáculo, seja no conceito, ou no figurino, ou pintando florzinha para cenário... A minha antiga escola era muito perto da minha casa, então, quando podia, passava horas por lá, ensaiando para outras coreografias de modalidades diferentes, ajudando... Era meu refúgio. Aqui em Brasília as coisas mudaram um pouco e eu perdi este refúgio. E logo quando estava começando a me sentir em casa, tive que dar um tempo. E esse tempo está me corroendo.

O sonho foi bem angustiante em um momento específico quando ao subir nas sapatilhas de ponta, não consegui sustentar meus pés! Eles não tinham força para se manter em pé e eu sentia minhas articulações dobrando e pensava "É porque estive todo este tempo sem fazer aula". Até seguro o choro ao escrever sobre esta parte. Porque sei que, mesmo este pesadelo ter sido um reflexo de outros sentimentos em relação a outras coisas da vida, eu também sinto atualmente esta impotência em relação ao ballet. Sinto-me tão distante dele... como se ele estivesse indo embora de mim.

Foi muito estranho... E no final, enquanto estávamos numa espécie de confraternização da escola, mexendo em doces, minha professora me disse que eu podia voltar a hora que eu quisesse. Mas eu respondi, teimosa, com lágrimas nos olhos "Não é bem assim..."

foto: Dance Magazine

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

a Lagarta: edição 7 no ar!

Mudando de assunto, ballerinas (sabia que o post anteior ia revoltar algumas pessoas, mas fazer o que?) gostaria de avisar que a 7a edição da revista virtual, a Lagarta, está no ar!

Desta vez, não há nenhuma matéria sobre ballet, mas tem moda, arte, ilustrações bonitas para se admirar, entrevistas bacanas e tudo mais que uma garota curte, independente de ser bailarina. Espero que curtam! Deixem um feedback por aqui :)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

killer ballerinas

POST EDITADO:

Ballerinas, em função de alguns comentários, resolvi editar este post para esclarecer algumas coisas.
1-Eu canso de dizer que não sou profissional, não sou professora, nem dona da verdade. Isto aqui é um blog de lazer. Estou aprendendo tanto quanto vocês. Logo, por favor, não levem nada que eu digo aqui como verdade suprema. Eu nunca me coloquei em tal posição...
2-Quanto ao depoimento abaixo ser de "apenas uma bailarina", eu não concordo, pois não é nem a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que ouço histórias semelhantes. Talvez o post não tenha sido claro o suficiente, mas a conclusão que eu tirei após ler esta entrevista foi que, baseada em tantas outras coisas que eu já ouvi por aí (histórias de professoras minhas, ou lidas em outras entrevistas, ou vistas em vários filmes) quando o backstage do ballet não é violento para com o corpo e a alma, é exceção (como eu sou, dentro do mundo da moda e das artes. super careta rs). Posso vir a mudar de ideia. Não vou parar de dançar por causa disso, mas a entrevista me marcou tanto quando li, que não pude deixar de me expressar.
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Acabo de receber minha Vogue Brasil deste mês e uma das primeiras matérias era sobre ballet. Fiquei horrorizada com as verdades contadas pela bailarina brasileira Claudia Carvalho. Eu sabia que a vida atrás das coxias era difícil e competitiva, mas não sabia que era deste jeito...

"(...) presenciei algumas vezes o uso de cocaína antes de entrar em cena. Se tivesse exame antidopping no balé, não haveria mais espetáculos"

"A vida em turnê também é dura, há muita promiscuidade, assédios dos coreógrafos (...) O resultado é tensão, corações partidos e muitas bailarinas lésbicas por conta da solidão em longas turnês"

"Certa vez, notei algo estranho ao calçar minhas sapatilhas, antes de entrar em cena num ballet em que era a protagonista. Elas estavam lotadas de taxinhas! Fiquei paralisada de terror!"

Se esta é realmente a educação dada (ou não, né?) dentro das escolas de ballet, se é neste mundo em que vivem milhares de meninas que entram por causa de um sonho, mas acabam o trocando pela própria vida e pela própria alma, eu não quero ter relações com ele. Digo, de defende-lo, de achar tão lindo quanto vemos nos palcos, ou de encorajar minha futura filha a ser profissional, se um dia ela quiser.

Engraçado porque, assistindo ao meu DVD do Ballet Russes, o ballet naquela época não parecia ser esse monstro que é hoje. Ninguém comentou fatos tão absurdos quanto os descritos pela Claudia.

Acho que o ballet como vemos hoje é um reflexo da humanidade desenfreada, acelerada, pouco sensível. Haverá esperança?